Feira da Praça XV: antiguidades, garimpo e clima de sábado no Centro
Feira da Praça XV Rio de Janeiro: garimpo, história e sábado no Centro
A Feira da Praça XV Rio de Janeiro é daquelas paradas que transformam um sábado comum no Centro em passeio, garimpo e descoberta. E é no sábado que a Praça XV fica ainda mais interessante. Porque no meio de toda essa história, praticamente ao lado da janela do Paço Imperial ligada ao Dia do Fico, todo sábado acontece uma feira de antiguidades.
E o melhor é que a feira mistura passado e presente sem esforço. Você pode chegar pensando só em olhar as barracas e acabar descobrindo objetos, histórias, personagens e um pedaço do Centro que continua vivo justamente porque ainda é usado, frequentado e reinventado todos os sábados.
Sim. No mesmo pedaço da cidade em que você acabou de descobrir decisões que ajudaram a mudar os rumos do Brasil, algumas horas depois pode estar escolhendo um disco de vinil, revirando uma caixa de fotografias antigas ou tentando decidir se precisa mesmo daquela louça que acabou de encontrar.



É a tradicional Feira de Antiguidades da Praça XV, uma das mais antigas e tradicionais do gênero no Rio, com uma história que remonta ao final dos anos 1960 e ao início dos anos 1970. Há registros da feira já em 1969.
E ela nem começou exatamente como a feira de antiguidades que conhecemos hoje. Durante muito tempo, o lugar ficou conhecido como Feira do Troca ou Feira do Troca-Troca. E o nome era bastante literal.
As pessoas iam até ali para trocar objetos. Nem toda negociação precisava terminar em dinheiro: revista podia virar utensílio doméstico, uma peça podia ser trocada por outra e o próprio escambo fazia parte da graça da feira. Foi dessa prática que nasceu o apelido que acompanhou o lugar durante décadas.
Com o tempo, a feira cresceu, mudou e virou um daqueles encontros que têm de tudo: antiquário, colecionador, brechó, gente que leva garimpo a sério e gente que foi só dar uma volta.
E “feira de antiguidades” talvez nem dê conta.
Você começa olhando uma barraca sem compromisso e, quando percebe, já está no meio de discos de vinil, livros, moedas, cartões-postais, prataria, relógios, fotografias, objetos de decoração, roupas e umas coisas tão específicas que você nem sabia que alguém colecionava.
Tem ainda um outro “espetáculo” acontecendo ali no meio das barracas: o desfile de gente descolada, estilosa, criativa, cada uma com um jeito muito próprio de se vestir. A feira também é isso. Um pouco de garimpo, um pouco de história e um pouco de passarela carioca improvisada. Você vai olhar antiguidades e de bônus acaba observando metado do Rio interessante passar na sua frente.
E, como todo passeio carioca que se preze, uma hora aparece comida no caminho. E aí entra um clássico que combina perfeitamente com sábado de feira: pastel com caldo de cana. Simples, carioca e difícil de dar errado. Agora, se a sua praia for outra, também aparecem cervejas artesanais e outras coisas para ir beliscando enquanto você passeia, garimpa e perde completamente a noção de que tinha prometido não comprar nada.

Porque esse é mais ou menos o roteiro.
Você começa procurando um vinil e, quando percebe, está com um pastel numa mão, uma cerveja na outra e tentando justificar para si mesmo por que aquela peça de decoração era, sim, indispensável para a sua vida.
E tem uma coisa especialmente boa nisso tudo: você está garimpando objetos do passado justamente numa praça que guarda séculos do passado do próprio Rio. Ali, do lado do Paço Imperial. Do lado da janela do Dia do Fico.
No Rio, até o passeio mais despretensioso acaba esbarrando na História.
Não dava para inventar cenário melhor.
