Rua do Ouvidor: onde o Rio senta para conversar

Rua do Ouvidor Rio de Janeiro: história, samba e boemia

E, depois de tanta história, talvez tenha chegado a hora de fazer uma coisa igualmente carioca: sentar, pedir uma cerveja e deixar o resto acontecer. Porque a Rua do Ouvidor continua sendo uma daquelas ruas em que o Rio acontece na calçada.

A Rua do Ouvidor Rio de Janeiro é daquelas ruas em que história, samba, conversa e vida de calçada continuam acontecendo ao mesmo tempo.

Tem barzinho sem frescura, comida brasileira, prato feito, petisco, feijoada, cerveja estupidamente gelada, mesa que vai encostando em mesa e conversa que começa com quem veio com você e, cinco minutos depois, já tem participação especial do sujeito da mesa ao lado.

Pronto. Você já ganhou um novo “melhor amigo”.

E, quando entra o samba… bom, aí é perfeição.

Rua do Ouvidor Rio de Janeiro

Sem luxo, sem afetação e sem aquela obrigação de transformar um passeio pelo Centro num programa sofisticado. Às vezes, o Rio funciona melhor justamente assim.

E tem uma coisa ainda mais interessante: isso não é exatamente uma novidade da Rua do Ouvidor. No século XIX, ela já era o lugar para onde o Rio ia ver gente, encontrar gente, saber das novidades e, evidentemente, cuidar um pouquinho da vida alheia.

A Ouvidor concentrava cafés, confeitarias, livrarias, lojas, jornais e redações. Escritores, jornalistas, políticos e comerciantes circulavam por ali. Era uma espécie de grande corredor social da cidade.

Joaquim Manuel de Macedo escreveu sobre o caráter indiscreto e noveleiro da rua. Machado de Assis circulava por suas livrarias e confeitarias. A famosa Livraria Garnier virou ponto de encontro de escritores e intelectuais.

Ou seja: mudou o século, mudaram as roupas, algumas livrarias fecharam, os bares obviamente ficaram e a cerveja, felizmente, ficou mais gelada.

Mas essa mania da Rua do Ouvidor de juntar gente, mesa e conversa parece ter sobrevivido muito bem.

E talvez seja exatamente isso que deixa a rua tão carioca. Você não precisa chegar ali com um grande plano. Às vezes, o programa é só conseguir uma mesa, pedir alguma coisa, ouvir o samba e ficar. Sem pressa.

Porque no Rio tem passeio que você faz andando. E tem passeio que você faz ficando.

Talvez seja isso que o Rio tenha de mais bonito

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