Praça XV: da Rua São José à Rua do Ouvidor
ROTEIRO • CENTRO HISTÓRICO
Praça XV Rio de Janeiro: onde a história aparece em cada esquina
História, lendas, cultura, comida e um Rio que é muito mais do que bonito.
A Praça XV Rio de Janeiro é um daqueles lugares em que nada parece ser só o que parece. E talvez seja justamente por isso que ela mereça ser caminhada sem pressa. Em poucos quarteirões, você cruza prédios que mudaram a história do país, encontra feira, samba, comida, lenda e ainda termina o passeio com a sensação de que o Centro contou muito mais do que você esperava.

O Rio é muito mais do que bonito
Que o Rio de Janeiro é lindo, isso a gente já sabe.
Aqui tem mar, praia de areia branquinha, montanha gigante brotando no meio da cidade como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, Baía de Guanabara, lagoa e ainda o pôr do sol do Arpoador, que merece palmas.
Ainda bem que os turistas batem por nós.
Porque carioca que é carioca não faz isso. Não é falta de entusiasmo, não. É que a gente já está acostumado com essa maravilha que é o Rio.
Tem dia em que o céu resolve misturar roxo, laranja, amarelo, rosa, um pouco de tudo, e fica parecendo que alguém exagerou no filtro. Só que não. É o Rio mesmo.
Fora aquelas paisagens que você nem precisa apresentar. Mostrou a foto, a pessoa já sabe onde está. Algumas delas, inclusive, fazem parte da paisagem carioca reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Só que eu fico pensando: chamar o Rio só de bonito às vezes parece até sacanagem.
Porque uma das coisas mais interessantes dessa cidade é que nada aqui é só o que parece.
Nada.
Uma praça nunca é só uma praça. Uma igreja quase nunca é só uma igreja. E aquela ruazinha de pedra onde hoje você senta para tomar um chope pode já ter sido cenário de uma história importantíssima, de intriga, disputa de poder, incêndio, decadência, lenda e sabe-se lá mais o quê.
No Rio, você sai para beber e corre o risco de tropeçar em três séculos de história no caminho.
E talvez seja justamente isso que faça caminhar por essa cidade ser tão divertido. Você começa olhando uma fachada bonita e, quando percebe, está descobrindo quem morou ali, quem foi preso, quem brigou com quem, o que pegou fogo e por que existe uma história esquisita envolvendo aquele lugar.
E, segundo certas histórias que circulam por aí, dependendo da rua e da hora, ainda dá para esbarrar com uma bruxa.
Mas essa parte a gente chega lá.
Porque o Rio também não sabe ser discreto.
E talvez nenhum lugar explique isso tão bem quanto a Praça XV.
Você pode chegar ali num sábado de manhã pensando apenas em garimpar um disco de vinil, procurar uma louça antiga ou fuçar um brechó sem precisar de absolutamente nada, que, convenhamos, é o estado ideal para entrar num brechó. Pode ainda comer nosso tradicional pastel com caldo de cana ou tomar uma cerveja artesanal, aposto que geladíssima.
Se preferir, também pode atravessar a praça sem pressa, seguir pelo Arco do Teles, escolher um dos bares, e acabar a tarde comendo feijoada e ouvindo um sambinha ao vivo.
Tudo muito casual.
Só que, no meio desse passeio aparentemente despretensioso, você estará andando por um dos lugares onde alguns dos capítulos mais importantes da história do Brasil aconteceram.
E acho que é isso que torna a Praça XV tão interessante. Você vai atrás de uma feira, de um pastel, de uma cerveja ou de uma caminhada e, sem perceber ou saber, tropeça em alguns séculos de história.
Muito Rio.
